Style Glow Up - Identificando seu estilo

Uma das coisas mais comuns de se ouvir durante os meus atendimentos de consultoria de estilo é “eu não tenho estilo, sou uma pessoa muito básica”. E você pode sim se considerar uma pessoa básica, mas isso não significa que você não tenha estilo.

 

Em algum momento da vida aprendemos que estilo só tem quem se veste de uma certa maneira, geralmente com combinações de roupas hiper criativas, acessórios chamativos, sapatos que você normalmente não vê por aí... e sim, essas pessoas têm estilo, mas essa estética não é a única que faz uma pessoa ser considerada estilosa.

Quando se trabalha estilo de uma forma que vai além de compor looks para produções de moda, você aprende a fazer muitas leituras do que é esse tema e, consequentemente, consegue entender que estilo nada mais é do que a forma como você se expressa através do que veste e como os ambientes que você frequentou e frequenta moldam essa expressão de você.

Na semana dois da série Style Glow Up vamos explorar mais o que é estilo pessoal, os elementos visuais que categorizam cada estilo e como você pode entender melhor qual é o seu. Vamos lá?

 

Quiet Glamour by Fanette Guilloud via DTS

 

Os Sete Estilos Universais

E como adaptei a teoria para meus clientes

 

Alyce Parsons foi a responsável por desenvolver o método Universal Style International, ou a teoria dos sete estilos universais. Esse estudo ajudou Parsons a categorizar sete estilos a partir da forma como nós percebemos e interpretamos determinados códigos visuais. O livro Universal Style: Dress for Who You Are and What You Want foi publicado pela primeira vez em 1991 e desde então a metodologia foi aplicada por diversos profissionais da área de imagem e estilo, servindo de base para outros estudos como os dez estilos universais, por exemplo.

Os sete estilos universais determinados por Alyce Parsons foram o tradicional, elegante, esportivo, criativo, sexy, romântico e dramático, sendo o esportivo também conhecido como casual e o dramático como contemporâneo. Segundo a teoria de Parsons, cada pessoa possui até três desses estilos na sua construção de imagem, o que resulta em um estilo pessoal autêntico e único.

 

A metodologia dos sete estilos universais serve como base para a construção da maneira como trabalho, sendo mais simples direcionar os clientes a partir desse método, ainda que eu não aplique os nomes originais usados por Alyce Parsons em sua pesquisa e publicação original e que não siga o modelo de até três estilos.

Durante meus atendimentos percebi que algumas coisas não se encaixavam e não eram compreendidas pelos meus clientes, o que criava uma desconexão entre a construção narrativa do estilo pessoal de cada um e o que eles conseguiam interpretar, uma vez que, em sua maioria, não estavam envolvidos no universo da moda.

Na versão dos estilos Style Mapper você encontra oito estilos (tradicional, sofisticado, esportivo, natural, criativo, urbano, romântico e magnético). E sim, os nomes são similares e continuo seguindo as características de cada um usando o que aprendi com a teoria de Parsons. A diferença aqui é como trabalho os estilos com meus clientes. Ao invés de usarmos apenas três estilos, usamos um estilo como base, dois estilos como apoio dessa base e quantos estilos forem necessários para finalizar a construção dessa narrativa.

 
Seu estilo, assim como você, está em constante fase de mudança e adaptabilidade ao universo que te rodeia.
 

The intern by Shauna Summers via DTS

 

Os Estilos e Seus Elementos Visuais

 

Como comentei acima, cada um dos estilos possui códigos específicos chamados de elementos visuais que ajudam a identificar cada um. Esses elementos visuais são cores, texturas, linhas, formas e estampas e cada um deles transmite uma comunicação diferente.

No estilo tradicional, por exemplo, temos roupas, acessórios e sapatos de linhas retas e cores sóbrias. O estilo tradicional, como o nome já diz, emprega elementos mais clássicos e que transcendem o que é tendência. Pense em uma boa camisa branca de botões, calça de alfaiataria bem cortada e um blazer bem estruturado.

Pode-se dizer que o estilo sofisticado tem inspiração no estilo tradicional, misturando um pouco da delicadeza do estilo romântico e modernidade do estilo urbano. Aqui o foco é a composição de looks que transmitam seriedade com um toque cosmopolita mais leve, por isso as peças em cortes mais retos são acompanhadas por cores mais claras e sóbrias em looks monocromáticos e com acessórios metalizados.

O estilo esportivo traz em seu DNA códigos ligados ao conforto, movimento e, como o nome já diz, ao esporte de modo geral. As peças que melhor representam este estilo são a camiseta oversized, a calça jeans ou bermuda e o tênis. Seus códigos despretensiosos e despojados, fazem com que o estilo esportivo seja apelidado por muitos como estilo casual. Suas cores são mais vibrantes e existe um mix entre linhas curvas e diagonais para construir essa narrativa mais dinâmica.

 O foco do estilo natural – que é uma subdivisão do estilo esportivo – são em peças de roupa em fibras naturais como o algodão, o linho e a lã, geralmente em texturas mais rústicas ao toque. Seus tons terrosos, somados a materiais como a palha, cortiça e madeira nos acessórios somados às linhas curvas trazem um efeito de fluidez ao estilo.

Cores vibrantes, materiais variados, o uso de estampas gráficas e acessórios maximalistas ajuda a construir a narrativa do estilo criativo. Aqui não temos uma lista do que é ou não parte desse estilo, já que a mistura de diversos universos faz parte do que é a criatividade por aqui.

Grandes metrópoles como Nova Iorque, Londres e Tóquio são ótimas representantes do que é o estilo urbano. Com inspiração em aspectos brutalistas, ainda que contemporâneos e fashionistas, as pessoas do estilo urbano se destacam por suas roupas arquitetônicas em linhas, diagonais e curvas exageradas, sendo percebidas como vanguardistas na moda. Suas cores mais escuras e os acessórios em tamanho maior dão ao estilo urbano uma sensação de poder.

 Cores mais claras e opacas, laços, rendas e mangas bufantes fazem com que o estilo romântico seja reconhecido facilmente e identificado como hiperfeminino. Materiais como o algodão e a lã e as linhas curvas que costumam acompanhar as peças deste estilo ajudam a reforçar uma imagem mais delicada.

 A texturização das peças é um ponto de foco dentro do estilo magnético, por isso materiais como o couro e paetês estão sempre presentes nos guarda-roupas das pessoas desse estilo. Cores vibrantes e em tons de joia, fendas, decotes mais abertos e peças que abracem o corpo são bastante comuns por aqui, uma vez que a ideia principal é trazer o foco para o corpo e suas curvas.

Quiet Glamour by Fanette Guilloud via DTS

 

Um Elemento, Diferentes Contextos

 

No tópico acima falamos sobre cada um dos estilos universais mais o estilo natural, que é uma subdivisão do estilo esportivo. Ali você pôde perceber que cada um dos estilos listados possui códigos visuais específicos que ajudam em sua identificação, no entanto, é importante ressaltar que esses códigos visuais podem ser apresentados de diferentes maneiras dependendo do contexto do look. Pode até parecer confuso, mas basta você pensar em uma lingerie vermelha de renda. Por si só, a renda é considerada um elemento visual pertencente ao universo do estilo romântico, porém quando colocada no contexto da lingerie vermelha, temos uma representação do estilo sexy.

Fazendo mais uma curva para te explicar a importância do contexto dos elementos visuais nos looks/peças/acessórios, quero trazer o cenário da lingerie de renda novamente, dessa vez em um tom de rosa pastel. Aqui, ainda que tenhamos uma comunicação mais sexy por estarmos lidando com uma lingerie, a cor mais clara da peça passa a reforçar o estilo romântico. Essas variações de interpretação são válidas para todos os estilos e elementos visuais, então não se prenda tanto ao material usado, mas sim no contexto geral da comunicação.

 

Identificando Seu Estilo

A parte mais importante se tratando do seu estilo é entender quais estilos – e consequentemente quais elementos e códigos visuais – compõem o seu estilo pessoal. Para que você consiga compreender quais estilos fazem parte do seu universo, é importante manter a mente aberta para conseguir fazer uma observação mais assertiva, e a limpeza do seu guarda-roupas é uma parte bem importante neste processo.

Bom, durante a análise de peças dentro do seu guarda-roupas (que você pode recapitular clicando aqui), você muito provavelmente se deparou com algumas repetições de peças, tecidos, cores e estampas e é exatamente com isso que iremos trabalhar por aqui.

O método Style Mapper de trabalhar estilo é o seguinte: identificamos repetições, categorizamos em cada estilo, analisamos os elementos visuais em maior quantidade e identificamos o seu estilo de base, que é o ponto de partida para a construção do seu guarda-roupas.

Aqui existe uma forte influência externa dos ambientes que você frequenta (trabalho, lazer, viagens) e os conteúdos que você consome (filmes, livros, séries, redes sociais). Quanto mais forte sua presença nesses ambientes e mais alto o seu consumo de mídias, mais influência eles terão sobre a maneira como você se veste.

Uma advogada vai ter muito mais peças do estilo tradicional no guarda-roupas, enquanto uma personal trainer terá mais peças do estilo esportivo, por exemplo. Isso não significa que elas não possam ter o mesmo estilo, mas o estilo de base de cada uma será diferente.

The Intern by Shauna Summers via DTS

Esse estilo de base se constrói ao longo da sua vida e acaba sendo parte da sua comunicação mesmo que não seja feita uma escolha de forma consciente. É por isso, inclusive, que os seus estilos secundários são tão importantes: são eles que irão reforçar sua personalidade e deixar seus looks mais a sua cara. O uso de acessórios, bolsas e sapatos é essencial para trabalhar seus estilos secundários. É dessa maneira que você irá conseguir alcançar uma comunicação visual que represente sua personalidade e faça com que o seu estilo seja apenas seu.

 

Na semana três da série Style Glow Up iremos falar mais sobre como você pode identificar seu estilo através de referências visuais e como encontrar as referências ideais para você. Até lá!

Tay Fernandes

Tay Fernandes nasceu e cresceu em São Paulo, SP e desde muito nova já pensava em trabalhar com moda. Especialista em Coloração Pessoal e Consultoria de Imagem Masculina e Feminina, hoje foca em um atendimento em que se mesclam as tendências do momento somadas a personalidade de cada cliente, construindo cada projeto de estilo do zero e personalizando-os de acordo com a necessidade apresentada por cada indivíduo.

https://thestylemapper.com
Anterior
Anterior

Style Glow Up - Encontrando Referências

Próximo
Próximo

Style Glow Up - Reorganizando seu guarda-roupas.